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:::FLORBELA:::

MSN Messenger:
smith_adams@hotmail.com
ICQ:78480771

Idade: 21 anos
Signo: Sagitário
Comida:Italiana, Oriental
Cor: Preto, Azul, Roxo
Números: 3, 7, 9
Música: Clássica, Gótica, Lírica, Rock Melódico, Blues, Heavy Metal
Escritor: Allan Poe
Poeta: Alvares de Azevedo
Poetisa: Florbela Espanca








:: Necromantica ::

Mal podia acreditar no que via, quando no quarto entrei senti minhas pernas estremecerem. Não podia ser, me perguntava o porquê. Ah! Quão grande foi minha dor ao vê-lo ali de olhos bem fechados, deitado diante de mim parecia dormir como um anjo.

Ao me aproximar queria deitar ali, ao seu lado. Repousar consigo nesse teu sono eterno, assim não deixando que nem por um momento saísse de meu lado. Meu amor, que dor sentia em ter ver assim. As lembranças a mente iam surgindo, esta cama que agora embala teu sono já foi outrora cenário de juras eternas de amor.

Abrindo aquelas cortinas pesadas e escuras, pude deixar que a luz da lua tirasse aquele ar sombrio de sua face pálida, e assim pela ultima vez ainda pudesse contemplar tua beleza. Pude segurar tuas mãos frias enquanto sussurrava ao seu ouvido meus últimos versos a ti dedicados.

De teus lábios posso sentir o clamor que ainda resta, imploram por mim, de encontro a eles irei. Enquanto me aproximo sinto o ar gélido que exala, meu coração se dilacera ao tocar com os meus os seus lábios frios e sem cor. Beijo-o com todo ardor que ainda me resta, beije-me também meu amor.

Por que não me beijas defunto ingrato? Beije-me eu imploro, não deixe que meus lábios pousem sem vida nos seus. Quero sentir tua boca salivar e teu gosto já quase esquecido. Preciso te sentir junto a mim, sentir que a morte não o fez esquecer de mim. Beija-me, beija-me...

Maldito, retribua o meu afeto, já que não podes mais retribuir o meu amor que tanto lhe dediquei, retribua pelo menos o carinho que lhe faço no leito de morte. Cega pela indiferença o beijo com mais força e me deito sobre ti. Abraça-me pelo menos, quero sentir seu toque ao meu corpo. Quero te possuir, deixa-me tua roupa arrancar. Como teu corpo ainda é belo, e frio permanece, não te preocupas com o calor de meu corpo nú junto a ti te aquecerei.

Não temas meu amor, junto de ti sempre estarei. Ah meu amor, um beijo é tudo que te peço, não me deixes sem antes um último beijo. Vejo que não adianta em nada lhe implorar, não vês como sofro por ti, em vida já sofria ao ver tua dor, agora ainda mais que antes. Que ódio me desperta aos últimos instantes de minha existência.

Empunho então a adaga sobre a mesa recostada. Tomada pela fúria a enterro em seu peito, várias vezes o perfuro com todo meu amor. Por que não me retribuiu uma só vez? Morra, morra novamente, morra no meu peito, que dor tamanha não quero sentir novamente. Sem piedade o esfaqueio várias vezes até que seu corpo irreconhecível se torne.

O que eu fiz? Me perdoa meu amor, sem ti não posso viver, te jurei meu amor eterno, me perdoa. Vou contigo, não te deixarei só, espera que estou indo. Prometi que para sempre estariam nossos corações unidos, cumprirei o prometido. Ao último suspiro, de um só golpe cravo no peito a adaga que meu amor em sua compaixão me deixou.



- Postado por: ☼ Florbela Espanca ϒ às 10h37
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